Santos negros no altar da fé

São Benedito
Cultuado em outros países como o Santo Mouro ou São Benedito, O Preto, o religioso, filho de escravos africanos, nasceu por volta de 1526 em San Fratello, na Sicília, Itália. Não sabia ler nem escrever e desde pequeno manifestou sua vocação para o isolamento. Sofreu inúmeras discriminações, ainda assim tornou-se conhecido por sua piedade e apego às penitências. Após os 21 anos, viveu como um eremita até ingressar na ordem franciscana. Foi para o convento de Santa Maria de Jesus, em Palermo, onde operou milagres e morreu em 1589. Seu corpo permanece exposto no convento.

 

Santo Antônio de Categeró
Também franciscano, recebeu o hábito na cidade de Noto, na Itália. Peregrino, era capaz de atrair fiéis durante suas caminhadas pelo deserto. Realizou votos de pobreza e morreu em 14 de março de 1549. Foi sepultado no convento de Santa Maria de Jesus, em Noto.

 

São Martinho de Porres
Discriminado por ser filho de um fidalgo espanhol com a mulata panamenha Ana Velasquez, São Martinho de Porres, também conhecido por São Martinho de Lima, pagou caro por ter a pele escura. Considerado filho ilegítimo por causa da questão racial, não foi aceito pela sociedade. Desprezou a nobreza, foi aprendiz de barbeiro e dedicou sua vida aos pobres. Freqüentou o seminário de Cremona, na Itália, e foi ordenado em 1869. A notícia de seus milagres correu o mundo. Foi padre da paróquia de Vicobellignano, onde morreu em 1917.

 

Escrava Anastácia
Descrita como uma das mais importantes figuras femininas da história negra, Escrava Anastácia é cultuada como santa e heroína em várias regiões do Brasil. A história conta que teria sido sacrificada pelo filho de um feitor. Dona de uma beleza incontestável, Anastácia não cedeu ao assédio do rapaz. Lutou, mas foi violentada sexualmente e, em represália à sua resistência, foi condenada a viver com uma máscara no rosto, retirada apenas durante as refeições. Morreu no Rio de Janeiro depois de anos de agonia. Seus restos mortais foram sepultados na Igreja do Rosário, mas desapareceram durante um incêndio que destruiu a igreja. De acordo com a crença popular, a Escrava Anastácia continua operando milagres.

Inhá Chica
Pouco se sabe sobre a vida de Francisca de Baependi, chamada carinhosamente Inhá Chica. É cultuada na região de Minas Gerais, onde nasceuem Rio das Mortes, vilarejo próximo a São João del Rey. Segundo a crença popular, seus milagres foram realizados ainda na infância e até hoje são reverenciados por muitos fiéis e devotos fervorosos.

 

Fotos: Sergio Pinheiro
Fotos Still: São Benedito /Santo Antônio de Categeró /Escrava Anastácia Thomas Kremer;
Agradecimentos: Galeria de Arte Brasileira / Casa de Velas Santa

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